Notícias - 18/05/2020

Maio, mês da Luta Antimanicomial - 18 de maio Dia da Luta Antimanicomial

No dia 18 de maio comemoramos o dia da Luta Antimanicomial, esta data remete ao encontro dos Trabalhadores de Saúde Mental ocorrido no ano de 1987 na cidade de Bauru, estado de São Paulo. Este movimento também ficou conhecido como Movimento da Reforma Psiquiátrica. Mas afinal, que Luta era essa? O que se queria Reformar?

O objetivo principal deste movimento foi de buscar a desinstitucionalização das pessoas com sofrimento psíquico, ou seja, realizar o tratamento fora dos hospitais psiquiátricos, os chamados manicômios ou hospícios, e propor um tratamento em meio aberto e de base comunitária, promovendo a reinserção social dessas pessoas.

As primeiras instituições destinadas ao tratamento psiquiátrico surgiram no Brasil no século XIX, através de casas asilares, hospícios e manicômios. Nestes lugares, eram asiladas as pessoas consideradas loucas ou anormais. No entanto, estes locais acabaram se transformando em verdadeiros depósitos de gente, pois muitas pessoas internadas acabavam permanecendo nestes locais pelo resto da vida, já que na maioria das vezes, eram abandonadas pela família ou eram indigentes. Além disso, eram submetidas a formas desumanas de tratamento, violência e maus tratos.

É neste contexto que, no final da década de 1970, os trabalhadores de saúde mental começaram a se unir e a reivindicar um novo modelo de atenção à saúde mental, pois não se podia admitir que, às vésperas do século XXI, ainda existissem formas tão arcaicas e desumanas de tratamento.

Após muito tempo de luta, foi aprovada no ano de 2001 a Lei 10.216, conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica. A referida Lei propõe o fim dos hospitais psiquiátricos e a construção de outras formas de tratamento às pessoas em sofrimento mental. Foi assim que surgiram os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), os leitos de saúde mental em hospitais gerais, os Residenciais Terapêuticos, entre outros. Esta modalidade de atenção visa um tratamento livre e humanizado, bem como a reinserção social das pessoas com sofrimento psíquico, pois acredita-se que todo o ser humano é digno de viver em liberdade, próximo da família e comunidade.

O município de Encantado conta com um serviço especializado em saúde mental que é o Centro de Atenção Psicossocial CAPS A CASA. Os CAPS são os principais dispositivos de cuidado em saúde mental propostos pela Reforma Psiquiátrica. Além disso, o Hospital Beneficente Santa Terezinha possui 11 leitos de saúde mental. Ambos os serviços são 100% SUS.

Nesse momento, em que vivemos uma pandemia em função do Coronavírus, o tema da saúde mental vem ganhando visibilidade na mídia e na sociedade, pois sabemos que essas situações extremas são geradoras de problemas emocionais como ansiedade, depressão, medo e incertezas perante a vida. Mais do que nunca, vemos o quanto é importante podermos contar com uma política pública de saúde que leve em conta a singularidade do cuidado em saúde mental. Ou seja, serviços como CAPS, comunitários e gratuitos, são indispensáveis para poder cuidar da população nesse momento de crise.

A atenção em saúde mental avançou muito nos últimos anos, sabemos que muito ainda há de ser feito, faz-se necessário mais investimentos em serviços de saúde mental, bem como a valorização da nossa vida nos seus diversos aspectos, com o olhar não somente para a saúde física, mas também emocional. Esta ainda é uma importante batalha da Luta Antimanicomial.

 

Equipe CAPS A CASA de Encantado